Meu coração de abacate.

Meu coração é um abacate. Aparência meio estranha, demora um pouco pra amadurecer e, quando amadurece, fica mole demais. Aguenta dias fechado na fruteira, mas depois de aberto precisa ser consumido rapidinho. Quem ganha ele deve ter cuidado ao manusear: qualquer apertão vira um hematoma e pode comprometer o gosto. Tem gente que gosta de amassar, outros batem ou cortam em pedaçinhos. É bom com açúcar, limão, sal, pimenta, tequila, faz bem pra pele e tem o maior índice de proteína dentre os corações (favor desconsiderar os níveis de gordura).  E cuidado: se quiser só uma metade, nunca esqueça a outra lá dentro da geladeira, que ela pode não estar mais lá quando você voltar. Meu coração ainda é um pouco verde; não sabe se pula do pé ou espera alguém colher.

Piña Colada

Era uma noite de verão quando eu o encontrei. Hesitei, mas não resisti ao seu charme. Depois de alguns minutos de conversa, percebi o quanto ele era maduro e, já que estava sozinha em casa, decidi convidá-lo para jantar comigo. Ele chegou todo imponente, cheiroso. Aquele cheiro era uma coisa de louco. Ele não era muito bonito, mas eu o achei tão interessante que nem liguei pra isso. Valia a pena investir, sabe.

A vontade era tanta que não pude esperar mais: me aproximei e o empurrei contra o balcão. Escorreguei as mãos por seu corpo todo com vigor, tentando escolher qual seria o melhor lugar para começar a despi-lo. Foi aí que um sentimento estranho tomou conta de mim. Abri a gaveta e peguei meu cutelo. Não pensei duas vezes: cortei sua cabeça fora, arranquei sua roupa e em poucos segundos já estava lambendo o suco azedo que me escorria pelas mãos. Ele não teve tempo de se defender. Minha vontade era tamanha que comi ele praticamente inteiro em alguns minutos. O que sobrou eu cortei em pedacinhos e joguei no liquidificador com um pouco de rum e leite de côco.


muffins de cereja

Tudo bem que nós vivemos num país tropical e que aqui não tem essa história de neve e toda a tradição que envolve o natal no Hemisfério Norte (Os EUA, na verdade), mas de uns tempos pra cá cerejas (que são super tradição por lá) têm brotado (sentido figurado, seria meteorológicamente impossível produzir cerejas aqui) em todo canto e os brasileiros estão adicionando mais um ingrediente à ceia de natal. É claro que não se compra a preço de banana, já que elas são importadas, mas o que antes só se via em calda agora tem em todos os mercados e eu acho legal que as pessoas descubram o sabor verdadeiro da fruta.

Eu acho uma delícia. Ia adorar ter uma cerejeira no quintal (na verdade eu teria uma fazenda no meu quintal).

Mas enfim, voltando ao que interessa: cerejas no supermercado, na feira, no mercado municipal, na quitanda. Praticamente o mesmo preço. O negócio é ficar de olho na cor (beeem vermelhas) e na embalagem (se estiverem em caixinhas tem que cuidar pra não pegar uma premiada com cerejas boas só na parte de cima; se for no pacotinho tem que olhar bem de pertinho pra ver se não tem muitas cerejas machucadas).

Ano passado eu fiz uma receita de muffins de cereja em que o toque charmoso era colocar, antes de assar, uma cerejinha sobre cada forminha. Aí depois de assados ficam só os cabinhos e é uma coisa linda e deliciosa (que eu vou entender se os outros acharem uma besteira, mas como eu adoro esses pequenos detalhes da vida, posso passar o dia olhando (cof! comendo) os meus bolinhos).

Então, semana passada foi aniversário da minha prima. Decidimos que íamos fazer uma festa surpresa pra ela, e isso deu mais trabalho do que o habitual. Ela mora no apartamento ao lado de onde seria a festa, então tivemos de cobrir a janela da cozinha pra ela não ver e ficamos cochichando umas 4 horas pra ela nem desconfiar que tinha alguém em casa.

Eu ia fazer os bolinhos de sempre, né. Chocolate, limão, cenoura. Mas aí fui na feira e tinha um saco de cerejas muito apetitoso. A receita dos muffins não foi a mesma, mas acho que essa ficou até melhor.

A receita dessa vez eu peguei no blog Anice&Cannella, de uma italiana super cozinheirona, que dá cursos deliciosos de panificação e tira fotos de dar água na boca. Eu sempre passo nesse blog pra babar um pouco. Não sei, acho que se tem uma nação que entende de comida nesse mundo é a italiana. Não que as outras tenham menos mérito, mas o equilíbrio dos sabores é muito presente ali, e dá pra ver que comer bem é um prazer muito natural, uma tradição que eles (cada região) seguem com orgulho, não é forçado. Por isso toda vez que eu encontro um livro ou alguma receita em italiano a primeira coisa que eu penso é que vai ficar gostoso!

Muffins de cereja

Receita adaptada do Anice&Cannella, que aprendeu no Lo Scief Cientifico (outro delicioso)

Ingredientes secos:
– 290 gramas de farinha
– 170 gr de açúcar
– 1 e 1/2 colher de chá de fermento (na receita diz duas e meia, mas deve ter alguma diferença no fermento italiano, porque com 1 e 1/2 fica do tamanho ideal)
– 1 / 4 colher de chá de bicarbonato de sódio
– 1 / 4 colher de chá de sal

Ingredientes molhados:
– 65 gramas de óleo de canola
– 1 ovo batido (usei dois caipirinhas)
– 220 ml de leite (parece muito, mas não é)

– 150g de cerejas cortadas. Eu separei as que tinham cabinho pra colocar em cima.

– Eu coloquei raspas de um limão siciliano e espremi metade dele na massa. Adoro o gostinho que ele dá na massa, sem contar que ela fica muuito cheirosa!

Preparo:

1: Pré-aquecer o forno a 190/200°C;

2. Em uma tigela peneirar a farinha e o açúcar e misturar ao sal e ao fermento;

3. Em outra tigela bater o ovo e em seguida misturar o leite e o óleo, batendo bem com o fouet;

4. Despejar os ingredientes molhados nos secos e misturar somente até a farinha estar totalmente incorporada (massa de muffin não se pode bater muito);

5. Adicionar as cerejas e misturar um pouco;

6. Colocar a massa até 2/3 de cada forminha, e depois colocar uma cereja no meio de cada uma;

7. Dependendo do forno, os bolinhos demoram de 20 a 25 minutos para assar.

8. Se quiser dá pra polvilhar com açúcar de confeiteiro depois que os bolinhos estiverem prontos, pra ficarem com cara de neve.

Os meus foram direto para a mesa 😛

Ps: eu uso muitos parênteses mesmo. Meu cérebro funciona nesse sistema de notas mentais e eu acabo escrevendo do mesmo jeito que penso. hahaha

De comer com os olhos

Há algum tempo foi lançado um livro no IKEA chamado “Hembakat är Bäst” (Homemade is Best, em sueco), com 3o receitas fotografadas deliciosamente, e melhor: de um jeito que a gente nunca viu.

As fotos são do Carl Kleiner, um fotógrafo sueco cuja criatividade não se resume somente a essas fotos. Os trabalhos do cara são muito bons mesmo, com composições extremamente precisas, mas que parecem ter vida. Eu amei tudo!

Aqui vão algumas das fotos do livro, mais algumas das séries “Café M – Beirut”,  “Macho!” e “Macarong”.

Queria colocar todas as fotos dele aqui!

Carl Kleiner, Jag älskar dig! ♥


?!

Não sei se isso é legal,  estúpido ou desnecessário.  Me abstenho de comentar a respeito. hahaha

Sopa de letrinhas

Sou meio leiga no assunto, mas adoro tipografia. E não é só com lápis ou fontlab que se faz um alfabeto, viu? O povo viaja, faz com bituca de cigarro, cabelo, flores, pasta de dente… e comida não podia faltar, claro!

Selecionei algumas imagens dos que achei mais interessantes. Alguns são esquisitos, mas não menos criativos! (Não vou escrever o que é cada um porque a graça é desobrir sozinho (e nem é difícil)!

Primeiro o Vladimir Koncar, um designer croata multitask (o site dele tem, além dos outros experimentos tipográficos, várias coisas legais).


Justin Tan – Designer chinês

(Sem fonte!) Eu ia ficar com a língua assada de comer todas essas letrinhas de caramelo!

(Sem fonte!)

(Sem fonte!)

Ana Benaroya – Uma designer super colorida!

Robert Bolesta

Alberto Fanelli

Legal, né?

(Vou precisar de outro post para as ilustrações)


De comer com os olhos

Esquecemos nosso blog. Fato.

A verdade é que temos feito zero peripécias culinárias nesse final de ano, e não precisa nem dizer o motivo né! Todo mundo sabe final de ano é de se descabelar (pronto, disse).

Então, já que ultimamente tenho usado mais o computador do que o fogão, tenho visto umas coisas legais e que merecem ser divididas – principalmente nos quesitos arquitetônico (que eu guardo com muito carinho nas minhas milhares de pastas) e culinário.

Meu Stumble (onde salvo os sites que gosto) é 80% culinária. E olha, existe muuuuita vida além do Tastespotting (eu adoro o Tastespotting, só pra constar)! Mas vamos ao que interessa: vou tomar vergonha na cara e começar a postar aqui as coisas mais legais que eu encontrar por aí sobre o mundo da cozinha.

O primeiro da fila é o Fulvio Bonavia, um designer-fotógrafo-ilustrador. Ele publicou um livro chamado “A Matter of Taste”, com criações feitas de elementos naturais – a maioria comestíveis. Achei incrível!

Gostoso, né?